Expansão da geração elétrica bate recorde em novembro, aponta CMSE

Expansão da geração elétrica bate recorde em novembro, aponta CMSE

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O crescimento da capacidade de geração de energia elétrica nunca cresceu tanto no país. O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) concluiu, em reunião realizada nesta quarta-feira (9/11), que a expansão da capacidade instalada elétrica em 2016 totalizou 8.611 MW, já tendo ultrapassado o recorde de expansão anual anteriormente registrado para o sistema elétrico brasileiro (7.509 MW em 2014), antes mesmo do final deste ano.

Em outubro, entraram em operação comercial 394,7 MW de capacidade instalada de geração, 65 km de linhas de transmissão e 100 MVA de transformação na Rede Básica.

Segundo o colegiado, o risco de qualquer déficit de energia em 2016 é igual a 0,0%, para os subsistemas Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste. Para 2017, estes riscos são de 0,9% e 0,1%, respectivamente para estes subsistemas, dentro dos 5% considerados o risco máximo inerente ao Sistema.

Veja a íntegra da nota divulgada pelo colegiado:

Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE)

Nota Informativa – 9 de novembro de 2016

O CMSE esteve reunido nesta quarta-feira, 9 de novembro de 2016, com o objetivo de analisar as condições de suprimento eletroenergético em todo o território nacional, e divulga, de forma preliminar, os principais pontos tratados pelo colegiado:

Resultado do Leilão de Transmissão nº 13/2015 – 2ª etapa: A ANEEL apresentou os resultados do Leilão de Transmissão nº 13/2015 – 2ª etapa, realizado no dia 28 de outubro de 2016. Foram vendidos 21 dos 24 lotes oferecidos, maior número de lotes e volume financeiro negociados em uma única sessão de leilão de transmissão, com deságio médio de 12,07%. As instalações de transmissão serão construídas nos Estados da Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Piauí e Rio Grande do Norte, com investimentos da ordem de R$ 11,6 bilhões, e deverão gerar aproximadamente 23.700 empregos diretos.

Redução da defluência a partir da UHE Sobradinho: Em 1º de novembro 2016, foi publicada a Resolução nº 1.283 da Agência Nacional de Águas – ANA, que autoriza a redução da defluência da UHE Sobradinho até o limite de 700 m³/s. Assim, conjuntamente com a Autorização Especial IBAMA nº 8/2016, fica autorizada a prática desta nova flexibilização, cujo foco é a segurança hídrica e o atendimento aos usos prioritários da água. Na última reunião semanal de acompanhamento da operação dos reservatórios do rio São Francisco, coordenada pela ANA e realizada no dia 7 de novembro, foi acordado que o início dos testes deve ocorrer em patamar intermediário no valor de 750 m³/s ainda no mês de novembro.

O CMSE destacou o papel fundamental dos reservatórios na mitigação dos riscos de indisponibilidade e de baixa qualidade da água aos usuários do rio São Francisco, principalmente em situações de escassez como a vivenciada atualmente. Ratificou novamente que a responsabilização da gestão dos recursos hídricos na bacia do rio São Francisco, que atualmente se dá através principalmente da operação das usinas hidrelétricas, extrapola o setor elétrico, uma vez que seus impactos são percebidos pelas diversas esferas de governo e setores da sociedade. Além disso, ressaltou que o atendimento eletroenergético no Nordeste está garantido a partir de outras fontes de geração e pelo SIN.

Condições Hidrometeorológicas: O ONS destacou que, referente à última reunião do Grupo de Trabalho MCTIC/MME sobre Previsão Estendida, permanecem atuantes condições de neutralidade no Oceano Pacífico Tropical, sendo mais provável o desenvolvimento de um episódio de La Niña de curta duração e fraca intensidade. Nessas condições, todavia, é pouco provável que a situação oceânica no Pacífico exerça influência sobre as precipitações da atual estação chuvosa do Sudeste/Centro-Oeste.

Além disso, há expectativa de ocorrência de chuvas generalizadas na região central do Brasil nas próximas semanas, incluindo a cabeceira do rio São Francisco e trecho incremental à UHE Sobradinho.

O ONS apresentou também que, em termos de Energia Natural Afluente – ENA bruta, foram verificados os valores de 84% no Sudeste/Centro-Oeste, 94% no Sul, 38% no Nordeste e 53% no Norte, referenciados às respectivas médias de longo termo – MLT do mês de outubro.

Reservatórios e Energia Armazenada: Ao final do mês de outubro, foi verificada Energia Armazenada – EAR de 34,8%, 86,1%, 10,9% e 29,8% nos reservatórios equivalentes dos subsistemas Sudeste/Centro-Oeste, Sul, Nordeste e Norte, respectivamente, referenciados à EAR máxima. Segundo previsão do Programa Mensal de Operação – PMO/ONS, devem ser atingidos ao final do mês de novembro os seguintes armazenamentos: 30,7% no Sudeste/Centro-Oeste, 80,9% no Sul, 7,5% no Nordeste e 13,7% no Norte.

Em relação ao subsistema Nordeste, considerando a persistência do cenário hidrometeorológico atual e a continuidade da prática de defluência mínima de 800 m³/s a partir da UHE Sobradinho, a expectativa é de atingimento de 4,0% de armazenamento na UHE Sobradinho ao final do mês de novembro de 2016.

Análise de Risco: O risco de qualquer déficit de energia em 2016 é igual a 0,0%[1], para os subsistemas Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste, considerando a configuração do sistema do PMO de novembro de 2016. Já para 2017, estes riscos são de 0,9% e 0,1%[1],  para estes subsistemas, respectivamente.

Análise de Ocorrências: O ONS apresentou a síntese das principais ocorrências no SIN do período de 6 de outubro a 10 de novembro de 2016, com destaque para o desligamento acidental do Elo CC Foz do Iguaçu – Ibiúna, que resultou em redução de 3.331 MW de carga nos submercados Sul e Sudeste/Centro-Oeste pela atuação do primeiro estágio do Esquema Regional de Alívio de Carga – ERAC. O respectivo Relatório de Análise de Perturbação – RAP encontra-se em fase de conclusão.

Andamento dos testes do 2º Bipolo do Sistema de Transmissão do Rio Madeira: Conforme apresentado pelo ONS, os testes do 2º Bipolo do Sistema de Transmissão do Rio Madeira dependem da recuperação da vazão no rio Madeira. Todavia, já foram realizados testes com transferência de potência pelo Polo 3 entre as subestações Porto Velho e Araraquara. Segundo o ONS, a operação comercial dos Polos 3 e 4 está prevista para o final do mês de novembro e a primeira quinzena de dezembro, respectivamente. Assim, ao final do mês de dezembro está prevista a operação comercial do Bipolo 2. Ressaltou, todavia, que este cronograma pode sofrer alterações, em função do comportamento hidrológico do rio Madeira.

Expansão da Geração e Transmissão: Em outubro, entraram em operação comercial 394,7 MW de capacidade instalada de geração, 65 km de linhas de transmissão e 100 MVA de transformação na Rede Básica. Em 2016, até a 31 de outubro, a expansão do sistema totalizou 7.745,2 MW de capacidade instalada de geração, 4.138 km de linhas de transmissão de Rede Básica e conexões de usinas e  9.247 MVA[2], de transformação na Rede Básica.

Em relação à expansão da capacidade instalada de geração de energia, destaca-se que, com a entrada em operação comercial verificada nos primeiros dias de novembro, a expansão em 2016 totalizou 8.611 MW, já tendo ultrapassado o recorde de expansão anual anteriormente registrado para o sistema elétrico brasileiro (7.509 MW em 2014).

O CMSE, na sua competência legal, continuará monitorando, de forma permanente, as condições de abastecimento e o atendimento ao mercado de energia elétrica do País. As definições finais sobre a reunião do CMSE de hoje serão consolidadas em ata devidamente aprovada por todos os participantes do colegiado e divulgada conforme o regimento.

Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico

[1] Este resultado é obtido nas simulações do modelo Newave tanto com séries sintéticas quanto com séries históricas, considerando em seus parâmetros que não há racionamento preventivo e apenas um patamar de déficit.

[2] O montante total de entrada em operação de transformação na Rede Básica foi atualizado com dados de entrada em operação desde a última reunião do CMSE e também com correção em relação ao dado anteriormente publicado.

Fonte: Minas e Energia